Os promotores públicos Ronaldo Lara Resende e Jeanine Mocellin estão convictos sobre o desvio de mais de R$ 1,1 milhão das cooperativas habitacionais administradas pelo vereador Raul Herpich em Farroupilha. Para a promotoria, o valor é muito maior do que o apresentado na investigação, pois a pesquisa foi pautada nos extratos bancários do presidente das cooperativas, sua esposa e seus dois filhos.

Os familiares adquiriram bens sem ter renda declarada. A filha e a mulher do investigado compraram um apartamento de R$ 424 mil, sendo R$ 200 mil a vista no ano passado. O filho dele comprou um apartamento de R$ 245 mil a vista em 2014, mas conforme a declaração de Imposto de Renda de 2012, ele arrecadou aproximadamente 60,8% desse valor, sem gastar nada para se manter nesse período.

Segundo Resende, a promotoria já sabia que algo de errado estava acontecendo, mas não afirmaram nada por não possuírem provas para embasar a denúncia. “Eu já sei disso há muitos anos, só faltava a confirmação”, concluiu.

Jeanine explicou que a investigação mostrou que Herpich fazia os depósitos sempre que precisava pagar algum boleto particular. Ela comentou também sobre a quantidade de depósitos realizados, sendo 584 na conta do investigado, 430 na de sua esposa, 26 na de sua filha e 221 na de seu filho. ”Ele foi muito confiante na impunidade”, finalizou.

Investigação

Herpich é investigado por apropriação indébita e desviar dinheiro das cooperativas habitacionais Terra Nostra e Meu Pedaço de Chão. Na manhã da última quarta-feira, 19, quatro mandados de busca e apreensão foram realizados com apoio da Polícia Civil no gabinete dele na Câmara de Vereadores da cidade, e nos escritórios das cooperativas. Além disso, o órgão também cumpriu a determinação de sequestro de bens e valores do investigado e seus familiares, como contas bancárias, cinco automóveis, dois apartamentos e quatro box de garagens.

Os primeiros grupos de associados surgiram em 2008 e, até hoje, nenhum lote foi entregue. Em uma entrevista para a Spaço FM em abril deste ano, Herpich afirmou que as cooperativas possuíam 116 hectares de terra distribuídos nos bairros Farrapos, São José, Nova Sardenha e Linha Machadinho. Entretanto, o MP encontrou matrículas de apenas 57 hectares, com valores muito acima do mercado. Constatou-se que muitos depósitos de valores baixos, múltiplos de 100, foram realizados nas contas particulares do vereador e de seus familiares. A soma resulta em R$ 1.164.297,55 milhão espalhado em contas da família.

O MP havia solicitado o afastamento do investigado de seu cargo de presidente nas duas cooperativas, o que não foi atendido pelo Judiciário, que entendeu que a medida cabia aos cooperativados. As contas do político foram bloqueadas e a prisão preventiva dele pode acontecer a qualquer momento se ele tentar influenciar pessoas ou prejudicar a investigação.

Confira os áudios abaixo

Leia também

“Do PDT a gente é pré-candidata, o que muito me orgulha”, declara Elaine Giuliato sobre as eleições de 2020

Idoso embriagado é preso após acidente na BR-285, em Muitos Capões

Câmara de Vereadores homenageia alunos com Certificado Destaque do Ano 2018

Áudios

Deixe o seu comentário!