O presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (Avtsm), Flávio José da Silva, em entrevista à Spaço FM durante o Fim de Expediente desta quinta-deira, 20, afirmou estar aliviado pela decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na votação unâmime dos magistrados, os quatro acusados pelo incêndio na boate Kiss, que matou 242 pessoas em 27 de janeiro de 2013, irão à júri popular. São eles os proprietários da boate, Elisandro Spohr e Mauro Hoffmann, e os músicos da banda Gurizada Fandangueira Marcelo Santos e Luciano Bonilha.

Apesar da decisão, o presidente ressaltou que a justiça não será completa, pois existem outras pessoas que ainda terão de ser responsabilizadas pela tragédia, entre elas agentes públicos municipais, bombeiros e o promotor de justiça, que segundo ele, foram negligentes na autorização do funcionamento da casa. "Eu lamento o STJ não ter incluído as qualificadoras, porque houve sim mais de 638 tentativas de mortes, com sobreviventes que saíram com sequelas irreversíveis”, declarou.

Conforme Silva, que é pai de Andrielle Silva, morta na tragédia, na data do acontecimento a casa estava superlotada e não cumpria com os requisitos de prevenções de incêndio e de segurança. Segundo ele, os extintores que deveriam estar expostos nas paredes foram retirados para não deixarem a decoração da casa muito feia e eram guardados na copa, cozinha e em outros lugares afastados das pessoas.

O pai ainda comentou que os exaustores foram lacrados para não haver vazamento de som e a única saída de emergência foi bloqueada pelos seguranças impendindo que as pessoas saíssem sem o pagar. Ele destacou a irresponsabilidade dos músicos por terem utilizado artefatos pirotécnicos em ambiente fechado, pois haviam sido alertados pelo vendedor sobre o uso.

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