A terça-feira, 29 de novembro de 2016, era de véspera de grandes decisões no futebol brasileiro, mas se tornou a data de uma tragédia inesquecível. O avião que levava jogadores e a direção da Associação Chapecoense de Futebol caiu. Após dois anos do acidente, as famílias das vítimas estão se sentindo abandonadas. O pai do fisioterapeuta Rafael Gobbato, uma das vítimas da tragédia, Paulo Gobbato, em entrevista para a Rádio Spaço FM, relatou a saudade que sente do filho e o esquecimento das autoridades com o que aconteceu.

Conforme Gobbato, a verdade é que todos abandonaram completamente a tragédia e parece que as pessoas têm medo de incomodar uma pessoa que perdeu um ente querido. Ele ainda destacou que é incerto receber alguma indenização.

A tragédia

O time brasileiro da Associação Chapecoense de Futebol viajava no dia 28 de novembro de 2016 para o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional em Medellín, na Colômbia. Ainda no Brasil, a equipe tentou fazer o voo saindo do aeroporto de Guarulhos direto para Medellín, mas o pedido foi indeferido pois apenas uma companhia aérea brasileira ou colombiana poderia fazer o voo. O trajeto foi feito, então, em duas etapas: um voo comercial pela companhia aérea boliviana BoA e o trecho final realizado em um voo fretado pela empresa LaMia.

Créditos: Reprodução Internet

Créditos: Reprodução Internet

Por volta das 22h, no horário local da Colômbia, o piloto do voo 2933 da LaMia relatou à torre de controle que o avião apresentava problemas elétricos e declarou situação de emergência, quando voava entre os municípios de La Ceja e La Unión. O contato entre a torre de controle e a tripulação foi perdido às 22h15 e pouco depois o avião caiu, às 1h15 do dia 29 de novembro de 2016, ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, arredores de Medellín.

O voo 2933 teve esgotamento de combustível e tinha 77 passageiros a bordo. Considerada uma das maiores tragédias da história do futebol e do jornalismo, o acidente vitimou 71 pessoas. Entre os mortos estavam mais de 20 atletas e 20 profissionais da imprensa. Apenas seis pessoas sobreviveram. O terrível destino de uma equipe resultou em uma comoção nacional.

Gestos de solidariedade

Nos grupos e páginas do meio esportivo e nas redes sociais, a Chapecoense sempre foi um time simpático, devido aos feitos alcançados sendo uma equipe de porte pequeno, algo muito difícil de acontecer no futebol. Em 2009, estava na Série D do Campeonato Brasileiro e apenas sete anos depois, com a final da Copa Sul-Americana, a Chape seria a primeira equipe catarinense a participar de uma decisão internacional. A comoção com a tragédia chegou a todos, tanto os aficcionados por futebol como aqueles que meramente conheciam o clube. A expressão “Força Chape” foi a mais comentada mundialmente.

Clubes e jogadores do mundo todo manifestaram solidariedade aos catarinenses. Outra grande manifestação de solidariedade partiu do próprio rival da Chapecoense para a final. O Atlético Nacional oficializou em seu site a solicitação para que a Conmebol entregasse o título de campeã da Copa Sul-Americana para a equipe catarinense. A imprensa de todo o país também prestou homenagens tanto aos jogadores, quanto para os profissionais que perderam a vida.

Créditos: Reprodução Internet

Créditos: Reprodução Internet

O simbólico movimento dos clubes e dos torcedores de todos os times do país em apoio à Chapecoense serviu de conforto para um dos momentos mais tristes da história do futebol nacional. A equipe se tornou um símbolo de união e motivação, sendo um dos maiores exemplos a festa interna que fizeram após a classificação para a final. Independente do futuro, a Chape será lembrada como aquela equipe pequena que, através daquela união e do bom trabalho, goleou gigantes e eliminou os tradicionais bastiões do futebol sul-americano, e além de tudo, conseguiu unir o Brasil inteiro, movimentando até mesmo rivais em prol de uma compaixão inédita.

Confira a entrevista abaixo

Áudios

Leia Também

Deixe o seu comentário!