Nesta semana, mais de três mil agricultores da região foram surpreendidos com boletos das seguradoras, informando que o governo deixou de pagar a parte que lhe cabia no seguro agrícola. Conforme era tratado, o Ministério da Agricultura assegurava 60% do valor. Os produtores receberam a conta informando que, para não terem o seguro cancelado, devem quitar o pagamento que era garantido pelo governo. A agricultora Margarete Biasoli se mostrou revoltada com a situação. “É um presente de Natal atrasado do governo Dilma”, ironiza. Ela comenta que o interior está sofrendo cada vez mais, uma vez com as intempéries que prejudicaram a safra, e agora com esse gasto, que não era previsto.

Nesta semana, ela recebeu carta da seguradora exigindo o pagamento. A carta salienta que é importante quitar o débito para garantir o seguro até o final da safra. Revoltada com o governo “jogar a conta” para o produtor, ela relata que o momento não é o mais adequado. “Nessa época, estamos totalmente descapitalizados, porque não recebemos safra, só investimos, como vamos pagar 60% do governo agora?”.

Margarete relata que pagou, desde julho, seis parcelas de R$ 350,96. Agora, o boleto é de R$ 2632,22, para ser pago até o dia 20. Ela ainda questiona o porquê da seguradora não cancelar de imediato a cobertura e devolver o dinheiro investido, ao invés de repassar o valor para uma das partes. A mulher ainda salienta que existem valores muito maiores para outros agricultores, já que varia conforme a produção. Pessoas que acionaram o sinistro na época da geada, no segundo semestre, estariam ameaçadas de não receberem o pagamento caso não quitem a dívida do governo. “Estes seguros não estão servindo para ninguém, nós temos que se unir e se mobilizar, porque chegamos ao fundo do poço agora”, completa Margarete.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Josecarla Signori, explica que, do orçamento de R$ 700 milhões destinados ao pagamento do seguro no ano passado, R$ 300 mi foram destinados para pagar o que se devia às seguradoras ainda em 2014. Dos R$ 30 mi que eram destinados aos produtores de uva, foi liberado apenas R$ 5 milhões. Quem não pagou a parte do governo, está sem cobertura, comenta Josecarla. Muitos produtores de Farroupilha estão sem o seguro, já que, sem o benefício, fica inviável pagar. A representante sindical garante que buscará uma solução para que isso não volte a acontecer.  

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