As escolas públicas municipais de Farroupilha divulgaram nesta quinta-feira, 3, uma nota contra o retorno das aulas presenciais, que poderá ocorrer a partir desta terça-feira, 8.

Na nota, as instituições demonstram preocupação com os testes rápidos em professores e seus servidores, assim como as estruturas poderão comportar apenas 30% dos alunos matriculados para respeitar a distância. Assim, poderão receber seis ou sete criança nos locais.

Na rede municipal, o ensino fundamental terá de duas a três semanas de aula, considerando o sistema de rodízio feito pelos estudantes. Além disso, as normas e exigências de segurança sanitária poderão atrapalhar o panorama pedagógico de ensino e aprendizado dos alunos.

Outro argumento utilizado no comunicado é a grande parte de servidores do grupo de risco que não poderão trabalhar e a legislação impede a prefeitura de contratar os substitutos. As escolas defendem que o ano letivo seja finalizado de forma não presencial e que o retorno seja planejado em 2021 com segurança.

Segundo o secretário da Educação, Vinicius Grazziotin de Cezaro, o documento feito pelas escolas será utilizado em uma reunião do Comitê de Atenção ao Coronavírus nesta sexta-feira, 4, quando será avaliado um possível retorno.

VEJA A NOTA NA ÍNTEGRA

NOTA PÚBLICA
ESCLARECIMENTOS SOBRE O RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS
DAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE FARROUPILHA
CONSIDERANDO que a rede pública municipal de Farroupilha retornou com as atividades pedagógicas
em 27 de maio deste ano;
CONSIDERANDO que tivemos o novo calendário escolar aprovado pelo Conselho Municipal de
Educação;
CONSIDERANDO que passados oito meses de pandemia e a propagação da COVID-19 ainda não foi
controlada de forma adequada pelas autoridades públicas;
CONSIDERANDO a baixa capacidade do sistema de saúde público, na nossa cidade, bem como no
estado, em absorver um repentino surto de contaminação por COVID-19 que venha necessitar de
internações hospitalares;
CONSIDERANDO que alguns setores da sociedade começaram a pressionar os governantes para que
esses autorizassem o retorno presencial das aulas;
CONSIDERANDO que o sistema econômico relata os problemas financeiros encontrados pelo setor
privado de educação;
CONSIDERANDO que, reiteradamente, se argumenta sobre a falta de assistência para crianças
carentes, tais como merenda e cuidados, os casos de violência e, em menor grau, a dificuldade dos
pais em terem um local para deixarem seus filhos enquanto trabalham;
CONSIDERANDO que, em consulta realizada pelas escolas, em suas respectivas comunidades
escolares, cerca de 80% dos pais não se sentem seguros para deixarem seus filhos retornarem
às aulas, não querendo o retorno nesse momento;
CONSIDERANDO que acreditamos ser imprescindível que os protocolos exigidos pelo governo do
estado sejam devidamente explicados, conhecidos, desmistificados e financiáveis;
CONSIDERANDO que, o protocolo, além de exigir aferição de temperatura, máscara, álcool gel,
tapetes, higienização constante, EXIGE o distanciamento de 2 metros entre as crianças ou 50% da
capacidade de cada turma;
As direções das escolas públicas municipais de Farroupilha vêm a público explicar que:
1) Desde 27/05/2020 todos os alunos vêm recebendo atendimento na forma não presencial,
utilizando tecnologias de comunicação e informação ou material impresso.
2) Sabemos que essa forma de ensino e de aprendizagem possui limitadores, contudo, foi a
maneira encontrada por diversos sistemas de ensino no país, com o objetivo principal de que
vidas fossem preservadas diante do desafio de uma pandemia.
3) O retorno em 08/09 pela Educação Infantil (Etapa Creche e Pré-escola) é inviável visto
que, por exemplo, em uma turma de 22 alunos, se a sala comportar, poderão ir 11 crianças a
cada dia. Mas se, devido ao tamanho da sala, 11 crianças não poderão ficar a 2 metros de
distância, MENOS crianças irão por dia.
4) Cabe esclarecer que, a grande maioria de nossas escolas, comporta no MÁXIMO 30% do
número de alunos matriculados para respeitar essa distância, ou seja, entre 6 e 7 crianças
poderão ir por dia.
5) TODOS retornarão TODOS os dias? Pelo cálculo apresentado e pelos protocolos exigidos a
resposta é simples e clara: NÃO!
6) Na etapa creche, devido ao não uso de máscara, a média por dia será de apenas 3 crianças.
7) Então, a família que precisa da creche/pré-escola para “ter onde deixar o filho”, não poderá
contar com isso, pois, provavelmente, a criança irá presencialmente 2 dias numa semana e 1 dia
na semana seguinte.
8) Caso a opção da prefeitura, seguindo orientação da Secretaria de Saúde, seja pelo “rodízio”, um
grupo de crianças irá numa semana e depois ficará duas semanas em casa. Na etapa creche,
precisamos ainda considerar uma série de outras peculiaridades, diante do “rodízio”, pois
preocupa-nos como se dará a adaptação, principalmente sem contato físico, a troca de roupas, o
transporte escolar, a garantia da higienização e tantos outros cuidados.
9) A respeito do retorno do Ensino Fundamental – anos finais – (6º a 9º ano) em 28/10/2020.
Na rede municipal, faltarão exatamente 40 dias para o fim do ano letivo, previsto para 23/12/20.
Nesse caso, esses alunos assistirão, PRESENCIALMENTE, cerca de 15 aulas, ou seja, três
semanas de aulas.
10)O retorno do Ensino Fundamental – anos iniciais – (1º ao 5º ano) em 12/11/2020. Para
esses alunos, considerando o sistema de rodízio, serão 30 dias letivos. Assim, provavelmente,
terão cerca de 10 aulas presenciais, ou, no máximo, duas semanas de aulas.
11) Não está claro se o retorno presencial, nas datas e com os protocolos de restrições de
aproximação, contato e uso de equipamentos, terá efetivo impacto no panorama pedagógico de
ensino/aprendizado de nossos alunos.
12) O investimento financeiro necessário para a aquisição de equipamentos, materiais de higiene e
limpeza, além da contratação de profissionais para suprir a falta dos professores do grupo de
risco não é possível de ser pago pelas escolas e não se sabe se é viável/condizente com o
momento econômico por que passa nosso município.
13) Outra questão que nos preocupa é a testagem dos professores, funcionários e alunos. Tal
medida será realizada periodicamente, para que seja possível identificar focos de contágio, fazer
o isolamento e rever a abertura das escolas, se necessário?
14) A escola, sem servidores, seja na parte pedagógica ou administrativa ou de higienização e
cozinha, não consegue funcionar normalmente e, nesse caso, não está claro ainda como se
dará a contratação para a substituição dos professores/funcionários do grupo de risco, tendo em
vista que estamos no período eleitoral e, isso é proibido por lei. Retornaremos sem o número
suficiente de profissionais para atender os protocolos exigidos?
15)Tendo em vista que, o ensino não presencial vem suprindo, dentro dos limites e possibilidades
da gestão escolar, dos professores, dos alunos e de suas famílias, os aspectos pedagógicos e,
acima de tudo, vem preservando vidas.
16)Tendo em vista a preocupação, histórica, que nossa rede tem de ofertar um ensino de
qualidade, reiteramos às famílias para que continuem realizando as atividades não presenciais
que são planejadas, preparadas, enviadas, disponibilizadas, recolhidas, corrigidas e devolvidas
aos alunos, posto que, serão avaliadas para a validação do ano letivo, não havendo previsão de
promoção automática ou reprovação sumária, apenas avaliações em um contexto extraordinário.
Frente às considerações realizadas, bem como aos questionamentos que ainda estão sem
respostas e, ao nosso mais absoluto respeito e preocupação com a VIDA dos servidores, pais e alunos
de nossas escolas, bem como o nosso firme compromisso com o processo de ensino e de
aprendizagem dos alunos e, considerando os riscos a que todos serão expostos, as vidas que poderão
ser perdidas, posto que SABIDAMENTE não temos a curva de contágio controlada, e ainda não
sabemos como a doença evolui em cada pessoa, nos posicionamos CONTRÁRIOS ao retorno das
aulas de forma presencial.
Em respeito à opinião da grande maioria da comunidade escolar, para termos segurança e para
que possamos nos organizar e evitar sobressaltos a cada semana, consideramos adequado que este
ano letivo seja finalizado na forma não presencial, mas que, desde já, se inicie o planejamento do
ano letivo de 2021 com um calendário que privilegie o retorno presencial com segurança, atendimento
dos alunos com qualidade, buscando a recuperação das lacunas de aprendizado que ficarem deste ano
e fortalecendo os laços entre escola e família.
Reafirmamos, que frente os desafios do momento e a preocupação maior de preservar vidas,
escola e famílias continuem em constante sintonia.
Farroupilha, 03 de setembro de 2020.
Direções das Escolas Públicas Municipais

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