O vereador de Farroupilha Raul Herpich é investigado pelo Ministério Público por apropriação indébita. Ele é acusado de desviar ao menos R$ 1,1 milhão das cooperativas habitacionais Terra Nostra e Meu Pedaço de Chão. Na manhã desta quarta-feira, 19, quatro mandados de busca e apreensão foram realizados com apoio da Polícia Civil no gabinete de Herpich na Câmara de Vereadores da cidade, e nos escritórios das cooperativas.

Posteriormente houve uma coletiva de imprensa com as promotoras Jeanine Mocellin e Claudia Hendler. Além disso, o órgão também cumpriu a determinação de sequestro de bens e valores do investigado e seus familiares, como contas bancárias, cinco automóveis, dois apartamentos e quatro box de garagens, para garantir o ressarcimento dos valores desviados de cooperativados.

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Atualmente há 44 grupos de associados e 44 contas bancárias, englobando as duas cooperativas. Em depoimento ao MP em 2017, ele declarou que as cooperativas somavam 5.790 mil associados, sendo que cada um deles pagava mensalmente o valor de R$ 100 pela sua cota para receber um terreno. Sendo assim, a arrecadação mensal naquela época era de aproximadamente R$ 579 mil, feita por meio de cheques ou em dinheiro vivo diretamente para o vereador.

O número de associados diminuiu em virtude da falta de perspectiva no recebimento dos terrenos, já que os primeiros grupos surgiram em 2008 e, até hoje, nenhum lote foi entregue. Em uma entrevista para a Spaço FM em abril deste ano, Herpich afirmou que as cooperativas possuíam 116 hectares de terra distribuídos nos bairros Farrapos, São José, Nova Sardenha e Linha Machadinho. Entretanto, o MP encontrou matrículas de apenas 57 hectares, com valores muito acima do mercado.

Constatou-se que muitos depósitos de valores baixos, múltiplos de 100, foram realizados nas contas particulares do vereador e de seus familiares. A soma resulta em R$ 1.164.297,55 milhão espalhado em contas da família, sendo que a esposa e a filha do investigado não possuem renda declarada. Ao todo são 584 depósitos na conta de Raul, 430 em uma conta conjunta com a esposa, 26 lançamentos na da filha, e 220 lançamentos na do filho.

Ainda segundo o MP, os valores que deveriam ser empregados para a entrega dos terrenos eram aplicados pela família em viagens, restaurantes, abatimento de saldos negativos em contas bancárias e outros gastos que não condiziam com suas rendas. Eles viajaram para alguns lugares do Brasil e exterior como Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Inglaterra, Berlim, Amsterdã, Punta del Leste, São Paulo, Jamaica e Pernambuco. O levantamento também foi feito com base nas redes sociais.

O Ministério Público havia solicitado o afastamento do investigado de seu cargo de presidente nas duas cooperativas, o que não foi atendido pelo Judiciário, que entendeu que a medida cabe aos cooperativados. A orientação é para que eles se unam e participem das assembleias para decidir o rumo das cooperativas.

Segundo a promotora Jeanine, é provável que o vereador acreditava na impunidade. Ela ainda salientou que as contas do político foram bloqueadas e a prisão preventiva dele pode acontecer a qualquer momento se ele tentar influenciar pessoas ou prejudicar a investigação.

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