Após o vice-prefeito de Caxias do Sul, Ricardo Fabris de Abreu, ter divulgado áudios do líder do governo no Legislativo, Chico Guerra, nos quais sugere dar um "corretivo" no presidente do bairro Cânyon, Marciano Correa da Silva, a Câmara de Vereadores irá votar nesta terça-feira, 12, a criação de uma CPI para analisar as denúncias de retaliações da administração municipal. A iniciativa é da União das Associações de Bairros (UAB).

Além disso, Fabris também divulgou uma carta aberta para a população neste domingo criticando o prefeito Daniel Guerra e, em suas palavras, sua "postura ditatorial".

Confira na íntegra

A divulgação da conversa do vereador líder de governo com o coordenador comunitário, instruído a "dar corretivo", "botar pra correr", "fazer sentir na pele", "está na lista negra", "mudar radical" contra a comunidade do Bairro Canyon, que é carente e literalmente vive na lama, escancarou ao público o que já se sabia, e que o digam os servidores municipais de carreira, o vice-prefeito e quem mais ousar criticar a administração municipal. O servidor também afirmou que a ordem vinha do Prefeito. "É mentira [que atendemos a todos] quem é amigo é amigo, quem é inimigo está fora".
O vereador, amedrontado e pouco hábil, defendeu-se de improviso em plenário atribuindo a culpa a um ancião de 84 anos, que o teria ameaçado de morte. Realizou a façanha de retaliar para negar tenha havido retaliação, mas, não mereceu crédito e foi incapaz de conter a crise política que eclodiu, a "chicoleaks", levando-o a outra ação desastrosa e que o colocou no caminho da perda do mandato. Petulante, dias após, ao ser perguntado se "não é antidemocrático tratar as ameaças com represálias?" respondeu: "Não. Se eu erro, tenho que pagar por aquele erro", deixando claro que já definiu quem errou, qual o erro e qual o corretivo devido, tudo segundo o Códex do irmão-prefeito. Não surpreende, porque como já dissera na malfadada conversa "essa é a postura" da administração municipal, uma postura ditatorial, modelo típico de autoproclamados gestores que se cercam de auxiliares ineficientes, alguns inaptos, outros incapazes, mas sempre dóceis e bem adestrados. O prefeito, arrastado para o centro da crise, viu-se forçado a desmentir publicamente o próprio irmão, por meio de nota oficial pouco convincente e evasiva ao conteúdo da gravação. Limitou-se a dizer que 80% das demandas do bairro foram atendidas, que não há discriminação, sem, entretanto, comentar ou negar o teor da conversa comprometedora do irmão, que lhe cita expressamente como mandante.
Ocorreram em tese "uma dúzia" de ofensas a princípios constitucionais que regem a administração pública, improbidade e infrações político-administrativas, mais o clientelismo e o fisiologismo, conhecida manipulação institucional de apoio político em troca da violação dos princípios éticos e morais do cidadão. Com a palavra, a Câmara, a quem cabe promover as ações legais contra os envolvidos, que merecem perder o mandato, já que não têm a altivez de sair pela porta da frente, como entraram. Caxias do Sul merece e exige.

Ricardo Fabris de Abreu,
Vice-prefeito Municipal.

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