A Rádio Spaço FM, entrou em contato com 15 vereadores do Legislativo de Farroupilha que irão participar da votação do terceiro pedido de impeachment contra o prefeito Claiton Gonçalves. O documento foi protocolado por integrantes da OAB no dia 2 de março e no mesmo dia foi colocado em votação e admitido por volta da meia-noite do dia 3 de março.

Nesta última quarta-feira, 13, o relator da comissão processante, Sedinei Catafesta (PSD), entregou para os vereadores o parecer que apontou para a cassação do gestor em três itens.

Todos os vereadores receberam a notificação para a sessão extraordinária que ocorrerá nesta sexta-feira, 15, a partir das 13h. A conferência irá seguir uma série de regras. Uma delas é o limite de pessoas que irão acompanhar os trabalhos.

Conforme a assessoria jurídica da Câmara de Vereadores, ainda existe a possibilidade de uma liminar por parte do prefeito que poderá cancelar a sessão desta sexta-feira, 15. Os parlamentares irão acompanhar a sessão onde serão lidas as cerca de 400 páginas. Cada parlamentar também terá direito de se manifestar por 15 minutos e a defesa do denunciado terá ainda duas horas. Após todas as manifestações, ainda ocorrerá a apresentação dos votos e, assim, a sessão deve durar mais de 10 horas.

A conferência terá que ser acompanhada por todos os vereadores com um número mínimo de oito, que devem permanecer no plenário ao longo de todo o período. O presidente Fernando Silvestrin (PL) irá conduzir a votação com possibilidade de intervalos de 10 minutos. O resultado deverá ser divulgado durante a madrugada desta sábado, 14. A votação também se dará pelos itens apontados no parecer, sendo que cada vereador irá votar sim ou não para eles e após será feito um somatório que precisará de 10 votos para que Claiton Gonçalves seja cassado.

Como neste ano ocorrerá a eleição municipal, diversas modificações principalmente de partidos aconteceram entre os vereadores e o cenário da situação ficou alterado. Em contato com as bancadas, a Rádio Spaço FM foi atendida por Sandro Trevisan e Josué Kiko Paese Filho, ambos do PP, este segundo presidente do partido no município. De acordo com Paese, a sigla estará reunida com sua assessoria jurídica para definir como irá se posicionar e votarará pela legalidade. O vereador Tadeu Salib dos Santos não retornou as ligações. 

Na bancada do MDB, os vereadores Jonas Tomazini e Arielson Arsego estão se inteirando do processo e do parecer apresentado pelo relator. Eles não abriram o voto, mas tudo indica que votarão pela cassação do gestor. Os outros integrantes do partido, Jorge Cenci, que faz parte da comissão do segundo processo de impeachment, e Eleonora Broilo, que é a presidente desta comissão que elaborou o relatório deste pedido, não se pronunciaram sobre o assunto, mas de acordo com informações, também irão apoiar a cassação.

Fabiano Piccoli (PSB), que é o presidente da outra comissão, também não se manifestou.

Em contato com os vereadores da base, eles não abriram o voto, mas a tendência é pela votação contrária ao impeachment. Tiago Ilha (Republicanos) não revelou seu voto, mas provavelmente votará a favor do prefeito. Para o retorno de Ilha ao Legislativo, o gestor recolocou o então vereador Rudmar Élbio da Silva (PSB) como secretário de Desenvolvimento Rural.

O ex-presidente da sigla Deivid Argenta e o atual Thiago Brunet (PDT) compactuam com a mesma ideia que a administração cometeu erros, mas acreditam que a cassação do mandato é uma pena muito pesada. Levando em consideração os argumentos dos dois, eles votarão contra o impeachment.

Segundo Glória Menegotto (Rede Sustentabilidade), as comissões dos dois processos que tramitam no Legislativo estão se comunicando, o que é ilegal, por isso o voto dela será pela legalidade. Desse modo, Glória deverá seguir o voto da base do governo. A parlamentar salientou o não recebimento pela câmara do parecer apresentado por Catafesta para que ela possa analisá-lo.

De acordo com o presidente da casa, Fernando Silvestrin (PL), os argumentos do parecer apresentado pelo relator têm fundamento. Ele destacou que seu voto é pela legalidade. A reportagem tentou contato com o relator, mas não obteve retorno.

Desta forma, a reportagem até o momento somou nove votos favoráveis ao impeachment, sendo que faltaria ainda um para a cassação, deixando Silvestrin e Catafesta como votos fundamentais para a cassação ou não do prefeito. Podendo ainda ocorrer a abstenção de votos de alguns parlamentares.

Matéria feita pelo jornalista Jerônimo Portolan Filho em colaboração com os repórteres Luís Carlos Muller e Ruan Alves.

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