Sem previsão para a liberação da rodovia, a equipe do Daer e da empresa Ecopav continuam trabalhando na ERS-122, entre Farroupilha e São Vendelino. Desde o dia 4 de novembro o trecho está bloqueado devido a uma queda de barreira no km 43, que aconteceu durante um temporal. O diretor de Operações Rodoviárias do Daer, Sandro Wagner Vaz dos Santos explicou que a maior rocha pesava entre mil e 1,5 mil toneladas. Primeiramente foi feita a limpeza da pista com a detonação das pedras, mas aconteceram mais deslizamentos e rachaduras. Por isso, novas decisões precisaram ser tomadas para resolver a questão que se tornou de grande escala.

O engenheiro da Ecopav, Roberto Bortolossi Filho, conta que não havia nenhuma informação prévia do local, já que era algo inesperado. "A gente pode considerar um desastre natural", destacou. Agora deve ser feito o desprendimento das rochas projetadas em cima da pista para evitar que haja quedas no futuro. Atualmente os trabalhadores estão a cerca de 25 metros de altura e ao longo das atividades foram encontrados vários problemas de alto grau de risco. Ainda há a preocupação com uma torre de alta tensão em cima de onde houve o problema, tanto de abalo da base da torre, quanto do seccionamento de cabos. Abaixo da 122 há uma moradia, e em cada detonação é preciso evacuar os moradores e fazer uma avaliação. "O andamento não está como na expectativa inicial pelas situações que viemos encontrando. As condições locais acabaram agregando uma série de riscos. A gente está fazendo o máximo de esforço pra tentar restabelecer o trânsito", esclareceu. 

Santos explicou que era esperado cerca de 30 centímetros de material instável no topo da encosta, mas hoje já estão cavando seis metros para poder fazer as perfurações nas pedras. Haverá uma única sequência de detonações, previstas para quinta e sexta. Depois desta etapa, um projeto de contenção específico deve ser elaborado para este trecho. "À medida que a gente limpava e descalçava o maciço, várias rochas começaram a cair. Isso nos surpreendeu porque desde 2000 não existia um evento desta magnitude", contou.

Conforme o diretor de Infraestrutura do Daer, Luciano Faustino, tudo é feito dentro da técnica dos engenheiros, primando a segurança dos cerca de 50 trabalhadores. "A liberação da pista depende essencialmente deste trabalho que está sendo desenvolvido agora. O sucesso dessa detonação com a posterior limpeza da pista é que vai definir uma data certa para a liberação da via", pontuou. "A gente sabe a importância da ERS-122 para a Serra e para todo o estado. O que foi avaliado é a segurança para não ocorrer nenhum problema que possa ocasionar um acidente", explicou.

Santos ainda fez um alerta contra o perigo, já que foram flagrados diversos veículos de passeio e ônibus de excursões tentando passar pelo local, arrancando cones e jogando-os no mato. "Nós entendemos que ela (a rodovia) não pode tanto tempo ficar parada, mas nós também temos que primar pela qualidade de uma obra de engenharia que seja feita com todo o cuidado. É uma preocupação, mas é uma responsabilidade muito grande a gente liberar uma rodovia sem que ela tenha condições", comentou. 

As alternativas recomendadas pela Polícia Rodoviária Estadual (PRE) para os motoristas que precisam se deslocar em direção a Porto Alegre é que utilizem a RSC-453 até a BR-470, em Bento Gonçalves, acessando a ERS-446 no sentido São Vendelino. Os condutores que sobem a Serra devem utilizar a ERS-446 em direção a Carlos Barbosa. Outra opção para os motoristas que se deslocam para a região metropolitana é utilizar a BR-116.

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